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MEDO A NOITE? Seu filho anda com medo de dormir sozinho? Saiba como ajudá-lo

Postado em: 12/01/2018

O medo, assim como a raiva, a alegria e o afeto, é um sentimento inerente ao ser humano. É ele que nos protege, em muitas situações da vida, nos mostrando os limites que devem ser respeitados. Na criança, o medo faz parte do processo de aprendizagem e é importante para o desenvolvimento.

Tá escuro!
É comum a criança começar a vir ao quarto dos pais no meio da noite pedir socorro por causa do lobo mau escondido embaixo da cama. “A partir dos 3 anos, quando a criança inicia a fase da imaginação, com histórias fantasiosas, costuma surgir esse tipo de comportamento. Por não conseguir distinguir a fantasia da realidade, surge o medo na hora de dormir sozinha”, diz a psicóloga infantil Thaís Leite.

É fácil entender os motivos. Primeiro, a criança se sente desprotegida por ter de ficar separada dos pais. Depois, quando as luzes se apagam, tudo o que é conhecido desaparece, deixando a criança sem referências e, como consequência, mais insegura.

Monstros e cia.
Também é comum a criança reportar o contato com monstros ou fantasmas. E o ideal é que os pais não tratem os relatos do filho como bobagem ou mentira. “A insegurança pode levar o cérebro a reproduzir imagens de monstros ou fantasmas de forma tão concreta que a criança, na maioria das vezes, acredita que estão em seu quarto”, diz a psicóloga Talita Bueno Ávila, terapeuta comportamental.

Mas também é preciso ficar atento aos estímulos externos que a criança recebe durante o dia. A televisão, por exemplo, pode levar à criação de novas imagens mentais, o que pode gerar ansiedade na hora de dormir. Dependendo do conteúdo visto televisão ou na internet, como filmes de terror, programas de adultos ou jogos com mortes recorrentes, ela pode ter pesadelos ou terrores noturnos, avisa Talita.

O desconhecido gera insegurança
Trocar de casa ou de quarto pode, eventualmente, fazer surgir ou reavivar o medo de dormir sozinho. A criança pequena é mais sensível às mudanças. Um ambiente novo, desconhecido, pode aumentar o o desconforto, deixando-a assustada.

“Tudo o que é novo pode gerar insegurança, que acaba se transformando em medo. Mas isso depende de cada criança. Umas tiram a situação de letra. Outras precisam de um tempo para se adaptar. E como não sabem nomear suas emoções, do seu jeito, acabam por chamar sua insegurança de medo de bruxa, monstro ou lobo mau”, avisa a neuropsicóloga Deborah Moss.

O exemplo dos pais
Nos primeiros anos de vida, a maior e mais importante referência dos filhos são seus pais. Por isso, o que dizem -- dependendo da forma como passam a mensagem -- aumenta (ou diminui) os medos das crianças. Quando um pai comenta: “Se você não dormir cedo, o monstro do armário vai sair e pegar você”, é esperado que o filho acredite e passe a temer a hora do sono, quando estará totalmente indefeso, no escuro, sem ninguém ao lado para protegê-lo.

Outra atitude dos adultos que reforça a insegurança dos filhos é quando os pais desconsideram ou, ao contrário, supervalorizam o medo relatado. Da mesma forma que não resolve o problema mandar a criança de volta à cama, com um "isso é bobagem, não tem monstro nenhum no seu quarto", convidá-la para dormir junto na cama do casal também não a ajudará a enfrentar seus medos.

O que funciona
Para ajudar, de fato, a criança a lidar com essas sensações, com o objetivo de minimizá-las, algumas sugestões dos especialistas: 


* Entre na história, use a sua imaginação e crie técnicas adequadas à idade do seu filho para que ele se sinta mais seguro. Vale usar um pulverizador anti-monstro no quarto da criança, por exemplo, antes do horário de dormir, para ajudá-la a ficar mais tranquila. Outra ideia é inserir super-heróis na decoração do quarto, com o objetivo de afastar todos os tipos de vilões.

* A sugestão da psicóloga infantil Thais Leite é bancar o detetive junto com o filho: ao escurecer, usar lanterna, vela ou mesmo a luz do celular para investigar, junto com a criança, os cantos onde as bruxas, fantasmas e afins costumam se esconder. Depois, basta fazer um cartaz para a porta, certificando que o quarto está seguro.

Na hora de colocar a criança na cama, leia uma história ou entoe uma canção calma, para tentar desviar o foco do medo. Aproveite o momento, também, para conversar com ela e desmistificar crenças erradas.

* Deixar uma luz fraquinha no quarto ou um abajur ligado no corredor também são meios eficazes de amenizar o medo do escuro.


Se não passar... A fase costuma ser passageira, mas não existe um tempo determinado para que isso aconteça, pois depende muito do desenvolvimento emocional e cognitivo de cada criança. Entretanto, se a insegurança se prolongar por meses ou se os pais tiverem dificuldade de lidar com a situação, o apoio de um psicoterapeuta pode ser de grande valia. Ele irá avaliar a situação e orientar a família na busca de uma solução, evitando que a criança se torne um adulto com excesso de medos.
Fonte: Gabriela Guimarães e Carolina Prado/UOL

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